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Edinho do Samba, Jaime e Adair: os depoimentos que faltavam

Nas últimas semanas, o projeto Mestres no Estúdio registrou outras duas memórias, encerrando a fase de coleta de depoimentos. Foi a vez dos mestres Edinho, da escola de samba Acadêmicos do Morro; e de Jaime e Adair, ambos da Companhia de Reis Tira Couro. Os três moram em Três Corações, onde foram gravadas as entrevistas.

Edinho lembrou durante duas horas de conversa a época em que as escolas de samba eram moda no interior. Os desfiles na cidade tinham disputa, apuração e tudo mais. A rivalidade entre famílias politicamente e economicamente influentes também aparecia na competição, com alguns patrocinando uma ou outra agremiação. Jajumô, Anhanhoa, Por Acaso e Imperatriz Rioverdense eram as rivais da Acadêmicos. Em alguns anos, no entanto, houve parcerias para formar um só desfile, como lembrou.

A conversa com Jaime e Adair teve início com a folia de reis mas não ficou só nisso. Os dois lembraram muito da época dos desafios, em que era moda disputar um repente nos bailes. Ao som da viola, tocada por Adair, Jaime mostrou como eram os versos. A rima de um repentista abre margem para a resposta do adversário, e os dois duelam até que um engasgue ou desista. Seu Jaime garante que era difícil ganhar dele.

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São Julião tem encontro de cultura quilombola

Na última semana tivemos mais um encontro para discutir e celebrar a cultura popular. Desta vez, em São Julião, uma comunidade quilombola dentro do município de Teófilo Otoni, no Vale do rio Mucuri, nordeste do estado. É onde nasceu Pereira da Viola, músico muito reconhecido pelas pesquisas que faz envolvendo a literatura oral na região. Tanto que Pereira é a grande referência na comunidade, que tem em sua família, ainda muito presente, uma liderança política e comunitária de atuação destacada.

São Julião é um lugar afastado, a duas horas de carro de Teófilo Otoni, com mais de 40km de estradas de terra. O local tem como núcleo um centro comunitário, com um galpão, um campo de futebol e um bar onde, além de jogar sinuca, os moradores podem cortar o cabelo. É nesse centro que aconteceram todas as atividades do encontro, como as oficinas de Carlinhos Ferreira (de construção de rabecas), Eda Costa (bonecas Abayomi) e de Viola Silva (de brincadeiras infantis).

Detalhe da rabeca na oficina de Carlinhos Ferreira
Detalhe da rabeca na oficina de Carlinhos Ferreira
Brincadeira
Crianças participaram da oficina de brincadeiras infantis

A convite do produtor Bruno Bento, ministramos duas atividades como parte da programação do encontro: uma roda de conversa sobre a trajetória do Museu da Oralidade e uma gravação colaborativa do estúdio móvel. Segundo o Bruno comentou, a questão do registro da memória oral é urgente no local. Os primeiros moradores que ocuparam a região já se foram e deixaram pouquíssimos registros, alguns gravados por Pereira ou por amigos. De fato, é preciso que a comunidade e os apoiadores, como no caso dos organizadores do evento, pensem juntos maneiras de reunir material sobre a literatura oral, que é vasta: cantorias, histórias, lendas, opiniões, visões de mundo — e várias outras manifestações arraigadas nas relações entre familiares e vizinhos.

Comunidades como São Julião são um vasto terreno para se descobrir e fazer circular registros de oralidade. Tudo ali é musical: na cozinha, na varanda, no quintal, qualquer conversa vira uma roda de cantoria. No entanto, qualquer pesquisa feita por ali precisa estar comprometida com os pesquisados, tanto na concepção do projeto quanto na divulgação dos resultados. Há uma queixa, muito visível nas conversas informais, de que pesquisadores acadêmicos levam o conhecimento e deixam muito pouco em troca. É um mal sinal, embora não seja exclusividade daquele local.

Na roda de conversa, apresentamos algumas possibilidades de registro já executadas ao longo de nossos oito anos de projeto. Uma em especial pode ser pensada para São Julião: o mutirão de histórias de vida. Esse tipo de ação reúne um número razoável de pessoas, que discutem uma metodologia comum a ser adotada e participam de uma breve formação. Saem a campo juntos, em esquema de colaboração, dividem-se entre as casas dos moradores e reúnem em dois ou três dias um número muito grande de horas de gravação. O material pode virar livro, exposição ou vídeo, conforme as necessidades e possibilidades que o local oferece. Pode ser uma alternativa, por exemplo, para que o centro comunitário ganhe um espaço dedicado à memória local.

Independente da questão da memória, São Julião aparenta ter algumas conquistas interessantes de cidadania. Reparei que as casas tem cisternas para captação de água da chuva, a escola rural é bem conservada e tem acesso à internet via satélite, os adolescentes (pelo menos os que conversei) estudam na cidade vizinha (embora nem sempre o ônibus passe). Interessante foi perceber também que não parece haver uma monocultura predominante, tem de tudo um pouco. Do ponto de vista econômico, a impressão é de que há o que melhorar. Talvez a chegada de mais modernidades possa contribuir, daí a importância do trabalho com a identidade local para que a transição aconteça de forma saudável e sem ameaçar a vida em harmonia que aparentemente reina ali.

O evento contou ainda com uma noite de baile, ao som de forró (meio arrocha, não sei muito bem o que era), e outra de encontro de violeiros, sob o comando de Pereira e amigos. Acho válido relatar que a noite do arrocha causou antipatia em alguns dos convidados, que queriam uma noite mais “de raiz”, menos “de massa”. No entanto, a escolha não parece ter desagradado nem um pouquinho a comunidade local, que dançou por horas com um frenético revezamento de casais a cada música. Não me agrada quando urbanos intelectualizados criticam esse tipo de escolha por parte da comunidade local. Em algum momento, vi colegas induzindo os moradores locais a dizerem que não gostam daquele tipo de música — embora estivessem todos lá dançando. O ruim disso é que, por um lado, a linha que separa a cultura popular da cultura de massa é, muitas vezes, tênue, e nem sempre uma exclui a outra. Por outro, a modernidade chega de uma forma ou de outra, para o bem e para o mal, e não há como ter um filtro completo sobre o que pode e o que não pode entrar na vida dos outros.

Abaixo segue o vídeo do Estúdio Móvel. A gravação é da música Pintassilgo, do colega Ronildo Prudente. O violão foi gravado por Rangelito e o pandeiro pelo Zorra. Agradecimento especial a todas as crianças e os colegas que toparam participar.

Pintassilgo – São Julião de Paulo Morais no Vimeo.

Encontro dos Povos discute o Espinhaço

A equipe da Viraminas, incluindo este que vos escreve, participou no último fim de semana da segunda edição do Encontro dos Povos do Espinhaço, que reuniu mestres de tradição oral, militantes, pesquisadores, educadores e artistas no distrito de Tabuleiro, município de Conceição do Mato Dentro, no coração da Serra do Cipó. O evento é de iniciativa da Aiaasca (Ponto de Cultura Art22), dos amigos Gibran Muller, Marilene Rodrigues e Vinícius Lage Carvalho. Mais do que um encontro de cultura, o movimento é de articulação política e ampliação de debates, com rodas de conversa que envolvem mineração e plantas tradicionais, entre temas parecidos.

Como na primeira edição, ocorrida no distrito da Lapinha, em Santana do Riacho, é visível o esforço da equipe responsável por criar um ambiente propício à profusão de ideias e conversas, com uma programação intensa, plenamente recheada de gente talentosa e disposta à transformação. Casos, por exemplo, do percussionista Camilo Gan, de Belo Horizonte, que comandou duas rodas de samba; e da atriz Michelle Ferreira, que fez uma leitura dramática do excelente monólogo A Jagunça — ainda em construção.

Participei de uma roda de conversa sobre os impactos da mineração na vida das comunidades próximas a grandes empreendimentos. Destacou-se nesse momento a fala do Movimento dos Atingidos pela Mineração — cuja representante tem um nome que infelizmente não anotei. Num estado onde a extração mineral é tão presente, pouco sabemos sobre o que de fato está em jogo: quem sabe, por exemplo, quais são os grandes compradores do minério que exportamos? A informação de que a maior parte do minério das minas vai para a indústria bélica é desconcertante, e o grande questionamento trazido pela militância vem da total falta de soberania dos moradores diante das decisões sobre os beneficiários e usuários do minério. Daí a perspectiva de que a precarização resultante do fim do ciclo da mineração dos últimos anos — resultado de queda no preço das commodities no mercado internacional e criada para manter a taxa de lucro de investidores — levou ao rompimento da barragem de Mariana. Tantos outros desastres menores seguem acontecendo, com pouquíssima repercussão no Brasil.

Decidimos levar para o encontro um piloto do projeto Estúdio Móvel — desdobramento do Mestres no Estúdio. Com um notebook, a interface e os monitores de áudio e um microfone condensador, convidamos mestres presentes e músicos para a gravação da canção Taquará, do nosso compositor Ronildo Prudente. Participaram os artistas Black Pio, Camilo Gan e Jhonny Herno, além das colegas de Balaio de Minas Adelaide de Castro e Camilla Santiago. Para um projeto piloto, o resultado foi positivo, considerando ainda que toda a atividade foi feita em um dia, e com muito sol na cara. Abaixo segue o resultado da gravação.

 

Brincadeira de light painting em homenagem ao nosso amigo Utta
Brincadeira de light painting em homenagem ao nosso amigo Utta
Vista da Igreja do distrito de Tabuleiro, em Conceição do Mato Dentro
Vista da Igreja do distrito de Tabuleiro, em Conceição do Mato Dentro
No mirante para a cachoeira do Tabuleiro, a imaginação é livre
No mirante para a cachoeira do Tabuleiro, a imaginação é livre
Detalhe do cachorro na roda de conversa do Encontro dos Povos do Espinhaço
Detalhe do cachorro na roda de conversa do Encontro dos Povos do Espinhaço
Por do sol na Serra do Cipó, visto do Mirante em Santana do Riacho
Por do sol na Serra do Cipó, visto do Mirante em Santana do Riacho
Por do sol na Serra do Cipó, visto do Mirante em Santana do Riacho
Por do sol na Serra do Cipó, visto do Mirante em Santana do Riacho
Peça "Jagunça", leitura dramática de Michelle Ferreira no texto de Ildeu Ferreira
Peça “Jagunça”, leitura dramática de Michelle Ferreira no texto de Ildeu Ferreira
Imagem em movimento do Candombe da Mata do Tição, no Encontro dos Povos do Espinhaço
Imagem em movimento do Candombe da Mata do Tição, no Encontro dos Povos do Espinhaço
Detalhe do Cruzeiro em frente à Igreja do Tabuleiro
Detalhe do Cruzeiro em frente à Igreja do Tabuleiro

Guia: o primeiro passo da gravação

Durante as duas últimas semanas, tivemos o primeiro passo nas gravações propriamente ditas do CD de finalização do projeto Mestres no Estúdio. Nosso compositor Ronildo Prudente criou a canção Dona Roxinha, cuja guia foi recém-gravada em nossa sala.

A guia é o primeiro registro, ainda despretensioso, da canção. Com ela, ajusta-se o tempo, para não deixá-la muito rápida nem lenta demais, e começa-se a pensar no arranjo como um todo. Abaixo segue um trecho da nossa primeira guia.

A partir desta gravação, encaixaremos outras vozes e, possivelmente, outros instrumentos — embora a ideia seja, de fato, uma canção mais seca. Já está acertado com as filhas e uma neta de nossa mestra rezadeira a vinda aqui no estúdio. Elas farão parte do coro e de alguns solos.

Visita ao mestre Vicente Lima, da Catira

Vicente Lima, violeiro e poeta, de São Bento Abade
Vicente Lima, violeiro e poeta, de São Bento Abade

Nesta quarta-feira demos sequência ao projeto com mais uma visita, desta vez ao mestre Vicente de Paulo, ou Vicente Lima, do grupo de catira de São Bento Abade. Poeta, violeiro e contador de causos nato, Vicente tem grande presença de espírito. Emposta bem a voz para narrar os fatos, sabe usar bem as palavras para chamar a atenção e, claro, floreia um ou outro trecho da estória — tem licença poética para tal.

Ainda jovem, seu Vicente caçava animais com grupos de amigos — 90% dos bichos que viu não existem mais, garante. Expulso da escola aos 11 — por excesso de travessura –, calçou o primeiro par de sapatos apenas aos 16 anos.  Por ordens do pai, foi trabalhar na roça ainda adolescente, onde formou caráter e de onde tirou (e ainda tira) inspiração para os versos que escreve e fala de improviso.

Com ajuda de mais dois irmãos, Vicente comanda o grupo de catira da cidade. Conta que incorporou outras batidas de viola, como o cururu e o pagode, à dança, que até então se limitava à moda campeira. Apesar do talento para compor versos, o violeiro não cria músicas: “toda vez que tento fazer uma música, fica igual outra que eu já canto no grupo”.

Discos raros de cultura popular para baixar

Há alguns meses chegaram até o Ponto de Cultura, via doação de uma amiga, parte de uma antiga coleção chama Documentário Sonoro do Folclore Brasileiro. Trata-se de uma coleção de compactos em vinil com registros em estúdio de diversos grupos de cultura popular do interior do Brasil. Como aqui não temos um toca-discos à disposição, durante algum tempo procurei por alguém que pudesse emprestar um para escutar essas raridades.

Depois de muita espera, numa ida a Belo Horizonte, resolvi digitalizar os discos num dos sebos do edifício Maletta — o serviço custa quatro reais a unidade. Agora, disponibilizo aqui uma primeira leva destas preciosidades. Os grupos são os mais variados — congo, banda cabaçal, samba de roda, folia de reis, boi de mamão e por aí vai. As contracapas trazem informações valiosas, como os integrantes, o local de gravação, os pesquisadores envolvidos etc.

Pelo que se observa, foi um trabalho de intensa pesquisa ramificada em todo o território nacional. Naturalmente que as gravações, feitas no fim da década de 1970 e início dos anos 1980, tem problemas: as bandas foram gravadas de uma tacada só (é o que se deduz ao ouvir), de forma que a compreensão não fica muito clara. Mas não deixa de ser deliciosa a aventura de escutar esses disquinhos, seja pela curiosidade, seja pela riqueza do material para qualquer pesquisa.

Numa breve pesquisa na web sobre esse material, consta que a produção foi de responsabilidade do folclorista e músico cearense Aloysio de Alencar Pinto, sob a tutela da Fundação Nacional de Artes, do antigo Ministério da Educação e Cultura. Também consta que são raridades, embora hoje na internet ache-se de tudo.

Fico pensando, ao ouvir o material ou ler a ficha técnica dos disquinhos, sobre a trabalheira envolvida num projeto dessa magnitude. Hoje, para gravarmos nossas canções com os mestres de cultura popular, a produção é totalmente facilitada pela internet e pelas redes sociais, seja para encontrarmos informações sobre os mestres, seja para chegarmos até eles. Nessa época, em que sequer existia fax, gravar grupos do interior de cada canto do Brasil exigia uma pesquisa prévia gigantesca, um esforço enorme de produção, que exatamente por isso merece ser preservado e compartilhado.

Enfim, pelas capas é possível clicar e baixar os arquivos zip contendo os áudios, em formato ogg. Em breve pretendo postar uma segunda leva.

Discos do folclore-07 Discos do folclore-03 Discos do folclore-05 Discos do folclore-04 Discos do folclore-01

Visita ao mestre Albino dos Reis

Seu Albino, Mestre de Congado de Cambuquira
Seu Albino, Mestre de Congado de Cambuquira

Nesta quarta, dia 17, tivemos mais uma visita dentro do projeto Mestres no Estúdio, do Museu da Oralidade. A conversa foi com o mestre Albino dos Reis Rodrigues, herdeiro da família Gato, que faz história com as festas de Congado em Cambuquira. Neto de Toninho Gato e sobrinho de dona Ana Gatinho, Albino movimenta o grupo de Congado no bairro da Lavra, onde também comanda a Folia do Divino e a Folia de Reis. Albino não apenas contou histórias, como também entoou alguns cantos que misturam domínio público com composições próprias.

Ô Nossa Rainha, já está na hora
Vamos com Deus e a Nossa Senhora

O Rei e a Rainha são dois companheiro
Nossa Senhora e São Benedito são festeiro

Tempo para experimentação


Nos horários livres, há que se experimentar as possibilidades de gravação do estúdio para explorar as ferramentas à disposição. Nesta quinta, pela manhã, a gravação do rap de Léo Vinícius agitou a casa.

Breve relato do Mais Cultura nas Escolas

Peço licença para comentar, neste blog, o relato de outro projeto, que está chegando aos finalmentes. Na falta de outro local mais adequado, entendi que aqui poderia ser um espaço ideal para esta postagem. É que hoje foi o último dia deste semestre do projeto Fotografia e Valores Humanos, aprovado no edital do Mais Cultura nas Escolas pelas colegas Maria Helena Dias e Daisy Duarte em parceria com a Escola Municipal Rotary. O projeto havia começado ano passado, mas devido a um contingenciamento de verbas que paralisou o programa em todo o Brasil, só voltou a funcionar este ano. Durante o tempo parado, a fotógrafa Maria Helena se mudou para São Paulo e, por isso, me convidou para ocupar seu lugar como instrutor de fotografia para estudantes da faixa de 13 a 15 anos.

Além da perda da monitora, a paralisação provocou uma quebra no cronograma previsto inicialmente. A primeira turma, que iniciou ano passado, já havia se formado sem terminar todas as aulas e foi necessário reiniciar tudo do zero, porém com metade do tempo pensado inicialmente.

A proposta é, resumidamente, a seguinte: transmitir e discutir valores humanos considerados universais, como, por exemplo, cooperação, gentileza e aceitação da diversidade; para, em seguida, ensinar os jovens a fotografar a comunidade do entorno da escola. A prática, entretanto, deixou a desejar, pois o cronograma pela metade impediu que aprofundássemos nas discussões que tinham (também) como objetivo quebrar padrões de preconceito que envolvem beleza, cor de pele, profissões, local de moradia e coisas do gênero. Diante do tempo, no entanto, não há como negar que houve um avanço na capacidade de articulação e posicionamento crítico dos adolescentes — embora seja sempre desejável que queiramos mais.

Mas a dinâmica também trouxe bons resultados. Embora o grupo tenha se reduzido aos poucos (começamos com nove alunos e terminamos com quatro, com frequência variável), observamos algumas que noções de fotografia foram bem absorvidas, como as tão conhecidas regra dos terços e teoria das cores, além do funcionamento do obturador e do diafragma, com suas respectivas implicações sobre objetos em movimento e profundidade de campo. O trabalho com improvisos na câmera do celular (obrigado, Manual do Mundo!) e quatro saídas pelas ruas do bairro para fotografia foi aos poucos despertando a criatividade e o olhar para detalhes que antes passavam despercebidos.

Nas duas últimas aulas, um processo de edição da fotografia revelou uma carência que teve relação direta com a questão do cronograma: o excesso de fotografias que os estudantes fizeram de si próprios, em contraposição à falta de imagens do cotidiano da comunidade. Usando o software livre RawTherapee, partimos de 605 fotografias para chegar a 27. Esse processo contou com dois filtros: o primeiro, livre, em que marcamos com uma estrela as fotos que mais agradavam ao grupo. Contando com muitas repetições e algumas imagens tecnicamente incompreensíveis, logo chegamos a 73. Então categorizamos as fotos (veja algumas abaixo), usando a ferramenta de marcação por cores que o programa oferece, e então tivemos o seguinte placar: do grupo (25); comunidade (13); pessoas (12); natureza (12) e “abstratas” (11).

Do grupo

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Pessoas

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Comunidade

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Abstratas

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Natureza

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A contagem foi ótima para aguçar a percepção sobre os temas que mais pesaram nas escolhas do grupo. Decidimos em conjunto que teríamos dez fotos das categorias comunidade e pessoas, e apenas três das demais — clicamos cada foto, então, com duas estrelas no RawTherapee. Não foi tão doloroso assim, os próprios alunos reconheceram a necessidade de ser mais objetivo e perceberam alguns cliques desconectados do propósito do projeto. Marcamos mais uma saída, para depois das férias, quando combinamos de fotografar os ofícios presentes no bairro.