Encontro dos Povos discute o Espinhaço

A equipe da Viraminas, incluindo este que vos escreve, participou no último fim de semana da segunda edição do Encontro dos Povos do Espinhaço, que reuniu mestres de tradição oral, militantes, pesquisadores, educadores e artistas no distrito de Tabuleiro, município de Conceição do Mato Dentro, no coração da Serra do Cipó. O evento é de iniciativa da Aiaasca (Ponto de Cultura Art22), dos amigos Gibran Muller, Marilene Rodrigues e Vinícius Lage Carvalho. Mais do que um encontro de cultura, o movimento é de articulação política e ampliação de debates, com rodas de conversa que envolvem mineração e plantas tradicionais, entre temas parecidos.

Como na primeira edição, ocorrida no distrito da Lapinha, em Santana do Riacho, é visível o esforço da equipe responsável por criar um ambiente propício à profusão de ideias e conversas, com uma programação intensa, plenamente recheada de gente talentosa e disposta à transformação. Casos, por exemplo, do percussionista Camilo Gan, de Belo Horizonte, que comandou duas rodas de samba; e da atriz Michelle Ferreira, que fez uma leitura dramática do excelente monólogo A Jagunça — ainda em construção.

Participei de uma roda de conversa sobre os impactos da mineração na vida das comunidades próximas a grandes empreendimentos. Destacou-se nesse momento a fala do Movimento dos Atingidos pela Mineração — cuja representante tem um nome que infelizmente não anotei. Num estado onde a extração mineral é tão presente, pouco sabemos sobre o que de fato está em jogo: quem sabe, por exemplo, quais são os grandes compradores do minério que exportamos? A informação de que a maior parte do minério das minas vai para a indústria bélica é desconcertante, e o grande questionamento trazido pela militância vem da total falta de soberania dos moradores diante das decisões sobre os beneficiários e usuários do minério. Daí a perspectiva de que a precarização resultante do fim do ciclo da mineração dos últimos anos — resultado de queda no preço das commodities no mercado internacional e criada para manter a taxa de lucro de investidores — levou ao rompimento da barragem de Mariana. Tantos outros desastres menores seguem acontecendo, com pouquíssima repercussão no Brasil.

Decidimos levar para o encontro um piloto do projeto Estúdio Móvel — desdobramento do Mestres no Estúdio. Com um notebook, a interface e os monitores de áudio e um microfone condensador, convidamos mestres presentes e músicos para a gravação da canção Taquará, do nosso compositor Ronildo Prudente. Participaram os artistas Black Pio, Camilo Gan e Jhonny Herno, além das colegas de Balaio de Minas Adelaide de Castro e Camilla Santiago. Para um projeto piloto, o resultado foi positivo, considerando ainda que toda a atividade foi feita em um dia, e com muito sol na cara. Abaixo segue o resultado da gravação.

 

Brincadeira de light painting em homenagem ao nosso amigo Utta
Brincadeira de light painting em homenagem ao nosso amigo Utta
Vista da Igreja do distrito de Tabuleiro, em Conceição do Mato Dentro
Vista da Igreja do distrito de Tabuleiro, em Conceição do Mato Dentro
No mirante para a cachoeira do Tabuleiro, a imaginação é livre
No mirante para a cachoeira do Tabuleiro, a imaginação é livre
Detalhe do cachorro na roda de conversa do Encontro dos Povos do Espinhaço
Detalhe do cachorro na roda de conversa do Encontro dos Povos do Espinhaço
Por do sol na Serra do Cipó, visto do Mirante em Santana do Riacho
Por do sol na Serra do Cipó, visto do Mirante em Santana do Riacho
Por do sol na Serra do Cipó, visto do Mirante em Santana do Riacho
Por do sol na Serra do Cipó, visto do Mirante em Santana do Riacho
Peça "Jagunça", leitura dramática de Michelle Ferreira no texto de Ildeu Ferreira
Peça “Jagunça”, leitura dramática de Michelle Ferreira no texto de Ildeu Ferreira
Imagem em movimento do Candombe da Mata do Tição, no Encontro dos Povos do Espinhaço
Imagem em movimento do Candombe da Mata do Tição, no Encontro dos Povos do Espinhaço
Detalhe do Cruzeiro em frente à Igreja do Tabuleiro
Detalhe do Cruzeiro em frente à Igreja do Tabuleiro