Edinho do Samba, Jaime e Adair: os depoimentos que faltavam

Nas últimas semanas, o projeto Mestres no Estúdio registrou outras duas memórias, encerrando a fase de coleta de depoimentos. Foi a vez dos mestres Edinho, da escola de samba Acadêmicos do Morro; e de Jaime e Adair, ambos da Companhia de Reis Tira Couro. Os três moram em Três Corações, onde foram gravadas as entrevistas.

Edinho lembrou durante duas horas de conversa a época em que as escolas de samba eram moda no interior. Os desfiles na cidade tinham disputa, apuração e tudo mais. A rivalidade entre famílias politicamente e economicamente influentes também aparecia na competição, com alguns patrocinando uma ou outra agremiação. Jajumô, Anhanhoa, Por Acaso e Imperatriz Rioverdense eram as rivais da Acadêmicos. Em alguns anos, no entanto, houve parcerias para formar um só desfile, como lembrou.

A conversa com Jaime e Adair teve início com a folia de reis mas não ficou só nisso. Os dois lembraram muito da época dos desafios, em que era moda disputar um repente nos bailes. Ao som da viola, tocada por Adair, Jaime mostrou como eram os versos. A rima de um repentista abre margem para a resposta do adversário, e os dois duelam até que um engasgue ou desista. Seu Jaime garante que era difícil ganhar dele.

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Discos raros de cultura popular para baixar

Há alguns meses chegaram até o Ponto de Cultura, via doação de uma amiga, parte de uma antiga coleção chama Documentário Sonoro do Folclore Brasileiro. Trata-se de uma coleção de compactos em vinil com registros em estúdio de diversos grupos de cultura popular do interior do Brasil. Como aqui não temos um toca-discos à disposição, durante algum tempo procurei por alguém que pudesse emprestar um para escutar essas raridades.

Depois de muita espera, numa ida a Belo Horizonte, resolvi digitalizar os discos num dos sebos do edifício Maletta — o serviço custa quatro reais a unidade. Agora, disponibilizo aqui uma primeira leva destas preciosidades. Os grupos são os mais variados — congo, banda cabaçal, samba de roda, folia de reis, boi de mamão e por aí vai. As contracapas trazem informações valiosas, como os integrantes, o local de gravação, os pesquisadores envolvidos etc.

Pelo que se observa, foi um trabalho de intensa pesquisa ramificada em todo o território nacional. Naturalmente que as gravações, feitas no fim da década de 1970 e início dos anos 1980, tem problemas: as bandas foram gravadas de uma tacada só (é o que se deduz ao ouvir), de forma que a compreensão não fica muito clara. Mas não deixa de ser deliciosa a aventura de escutar esses disquinhos, seja pela curiosidade, seja pela riqueza do material para qualquer pesquisa.

Numa breve pesquisa na web sobre esse material, consta que a produção foi de responsabilidade do folclorista e músico cearense Aloysio de Alencar Pinto, sob a tutela da Fundação Nacional de Artes, do antigo Ministério da Educação e Cultura. Também consta que são raridades, embora hoje na internet ache-se de tudo.

Fico pensando, ao ouvir o material ou ler a ficha técnica dos disquinhos, sobre a trabalheira envolvida num projeto dessa magnitude. Hoje, para gravarmos nossas canções com os mestres de cultura popular, a produção é totalmente facilitada pela internet e pelas redes sociais, seja para encontrarmos informações sobre os mestres, seja para chegarmos até eles. Nessa época, em que sequer existia fax, gravar grupos do interior de cada canto do Brasil exigia uma pesquisa prévia gigantesca, um esforço enorme de produção, que exatamente por isso merece ser preservado e compartilhado.

Enfim, pelas capas é possível clicar e baixar os arquivos zip contendo os áudios, em formato ogg. Em breve pretendo postar uma segunda leva.

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