Edinho do Samba, Jaime e Adair: os depoimentos que faltavam

Nas últimas semanas, o projeto Mestres no Estúdio registrou outras duas memórias, encerrando a fase de coleta de depoimentos. Foi a vez dos mestres Edinho, da escola de samba Acadêmicos do Morro; e de Jaime e Adair, ambos da Companhia de Reis Tira Couro. Os três moram em Três Corações, onde foram gravadas as entrevistas.

Edinho lembrou durante duas horas de conversa a época em que as escolas de samba eram moda no interior. Os desfiles na cidade tinham disputa, apuração e tudo mais. A rivalidade entre famílias politicamente e economicamente influentes também aparecia na competição, com alguns patrocinando uma ou outra agremiação. Jajumô, Anhanhoa, Por Acaso e Imperatriz Rioverdense eram as rivais da Acadêmicos. Em alguns anos, no entanto, houve parcerias para formar um só desfile, como lembrou.

A conversa com Jaime e Adair teve início com a folia de reis mas não ficou só nisso. Os dois lembraram muito da época dos desafios, em que era moda disputar um repente nos bailes. Ao som da viola, tocada por Adair, Jaime mostrou como eram os versos. A rima de um repentista abre margem para a resposta do adversário, e os dois duelam até que um engasgue ou desista. Seu Jaime garante que era difícil ganhar dele.

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As histórias de Dona Roxinha

Nesta última terça-feira, 28, o projeto Mestres no Estúdio visitou a rezadeira e parteira Maria Roxinha, de 93 anos, moradora de Cambuquira. Foi a inauguração — em grande estilo, aliás — da fase de coleta dos depoimentos.

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Maria Roxinha, em entrevista ao Museu da Oralidade, no projeto Mestres no Estúdio

Com a ajuda de duas filhas e de amigas, Roxinha rememorou boas histórias que guarda na memória. São relatos inspiradores, que remontam a outros tempos, em que as dificuldades do mundo eram outras. Neta de escrava liberta pela lei do ventre livre, ela nasceu em um fazenda de Três Corações, onde o pai trabalhava na capina e em outras tarefas da roça. Ainda criança, mudou-se para Cambuquira, onde aos nove, meio que por acaso, ajudou no primeiro parto, de uma vizinha. A intocada fé católica ajudava no trabalho, com as rezas entoadas para que tudo corresse na mais serena tranquilidade.

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As rezas, aliás, são a principal razão para que Roxinha ficasse conhecida nas redondezas. Cobreiro, alergias, infecções de pele e outros males do gênero foram curadas a partir da interferência de dona Maria. Bastava rezar para que os enfermos se curassem em poucos dias. Tanto que ainda hoje, aos 93 anos, o serviço continua rendendo a presença de visitantes em busca de um alento para doenças. Roxinha conta que, em suas rezas, não evoca nenhum santo intermediário, mas fala direto com Deus.

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As histórias, entretanto, vão além das rezas. Dona Roxinha participou de festas de folia de reis, congado e terços de São Gonçalo, além de encenar peças de teatro na juventude. Marido? “Não tive, graças a Deus”, diverte-se.

Dona Maria Roxinha, em entrevista ao Museu da Oralidade, no projeto Mestres no Estúdio
Dona Maria Roxinha, em entrevista ao Museu da Oralidade, no projeto Mestres no Estúdio

Nas próximas semanas, como parte do projeto, trabalharemos com a transcrição completa do áudio, para podermos estudar o material e aprofundar na pesquisa de história oral. O músico Ronildo Prudente já está trabalhando na composição de uma canção, que será gravada em nosso novo estúdio, com base nas histórias contadas pela personagem.

Outros quatro personagens participarão deste projeto, que nos próximos meses vai revirar a cultura popular da região de Três Corações.